CÉREBROS 17
Às nove da manhã, chegou Olga. Kira, aproveitando que a bibliotecária foi ao banheiro, se mandou para os fundos. Lá encontrou Roman. Os dois se abraçaram.
Kira disse que estava morrendo de fome. Roman escolheu um livro e entregou para ela. Kira não estava entendendo, mas ele explicou que bastava ler. Logo tudo faria sentido. Então ela começou a ler em voz baixa, quase sussurrando, para não chamar a atenção de Olga. Os dois absorviam cada palavra juntos. Além de se alimentar, alimentava Roman também.
Ao fechar o livro, Kira quis saber como ele havia descoberto aquilo. Roman respondeu que um cérebro curioso valia por dois.
Depois de muitas leituras, no meio da tarde, deram uma escapada. Acompanhados de Nikolai e Svetlana, desceram a trilha serpenteante até a cachoeira.
Kira ficou maravilhada. Nunca tinha visto lugar tão lindo. Até aquele dia, sua vida se limitava a quartos e banheiros sujos. Poeira, mofo, detergente, sabão, panos de chão imundos e vassouras cheias de teias de aranha.
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