Deadline
Pra ontem
Prazo, por favor
Chamei o texto anterior sobre ideias de “definitivo”. Mas aqui estou, voltando ao tema e me autocontradizendo. Não sei se estou escrevendo sobre isso de novo porque novamente estou sem ideia para a Sextando, ou porque esse assunto é, simplesmente, inesgotável. Inesgotável como a própria produção de ideias. Elas nunca vão acabar, ao contrário dos combustíveis fósseis e a espécie humana. Só quando chegar o fim do mundo. Esse, sim, será o verdadeiro deadline.
Só sei que nada sei, mas tenho algumas coisas a dizer sobre isso. Talvez até ensinar alguma coisa. Quem sabe até render um novo livro.
Pra mim, tem um fator fundamental para uma ideia aparecer: prazo. Sem prazo, eu demoro para começar. E, se demoro pra começar, atraso a entrega. Por quê? Porque se não tem prazo, é pra amanhã. E o amanhã vale também para o dia seguinte. E para o seguinte do seguinte. E assim por diante.
Odeio a expressão “é pra ontem”. Sempre que me diziam isso, eu respondia que o ontem já era. Então estava fora. Afinal, não tenho máquina do tempo, apesar de achar que inventar esse aparelho seria uma ótima ideia.
O prazo, além de tudo, traz uma tensão boa. Um calorzinho na nuca. Essa pressão é importante para a criação, pelo menos pra mim. Às vezes, a ideia só aparece na véspera. Ou no próprio dia.
Ah, e tem mais: uma ideia que demora pra sair nem sempre é melhor. Aliás, por experiência própria, as que saem de repente — assim, do nada, como uma espinha no rosto de um adolescente — são as melhores. Já falei que caminhar e tomar uma ducha quente ajudam. Estar bem fisicamente ajuda. Mas, às vezes, as melhores ideias surgem no desespero. Ou na ressaca. Ou naquela destruição cerebral em que tudo vegeta, menos a criatividade.
Serge Gainsbourg dizia que só conseguia produzir com o cérebro completamente danificado por álcool e nicotina. E, bom, deu certo pra ele.
(Sobre ressaca, aliás, tenho um texto. Um dia desses publico por aqui — quando eu não tiver mais nenhuma ideia.)
P.S.: A propósito, se eu sumir, é porque estou esperando o prazo bater. Ou o mundo acabar, o que vier primeiro.
Vem meteoro! Vem deadline!
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ObrigAdão e bom finde.




Muito boa reflexão sobre processo criativo. O prazo é realmente um estimulante para o jorro das ideias, mesmo quando não há ideia nenhuma. Já fiz um vídeo curto sobre isso na série "Bastidores do humor", situado em https://www.marcadefantasia.com/maria.html