Escrita e outros bichos
SP
Não sei quanto tempo fiquei escrevendo minhas memórias noventistas de São Paulo. Preguiça de checar. Um ano. Um ano e pouco, talvez. Foi entregue no formato de folhetim: toda semana um trechinho de uma lauda e meia, às quartas-feiras, no Correio Elegante.
Esse negócio de escrever é um barato, mas vou te contar que não é nada fácil. Fácil é ser herdeiro, o resto é sangue, suor e lágrimas. Escrita demanda entrega e tempo. Um texto legal não sai assim do nada, tipo: você fecha os olhos, pensa na musa e começa a teclar. Nada disso. É muito menos romântico. Normalmente, antes de escrever um livro você tem que pensar no início, meio e fim. Já fiz tentativas sem saber onde a história ia terminar e dei com os burros n’água. Precisa de planejamento, pesquisa, essas chatices todas. Chatice, pelo menos para mim. Sou muito ansioso, acostumado com redação de jornal, cartum diário. Se eu pensar muito, perco o emprego. É fincar a pena no papel e mandar ver.
No momento estou na entressafra, pensando no que escrever. Tenho alguns projetos de autoficção, mas fico com receio de encher o saco do leitor: “Ih, lá vem o Adão de novo com mais uma cidade”. Já tenho uma quadrilogia. Na ordem de criação: Paris por um Triz, Amsterdã é uma Festa, Não Vá para Nova York (disponível até o final do mês) e Nós Sempre Teremos São Paulo (para o final do ano).
Queria fazer ficção, mas tenho a impressão de que, pelo menos na escrita, voo mesmo quando falo sobre me, myself and I.
Bom, chega de palhaçada.
Abaixo, o esboço da capa do livro Nós Sempre Teremos São Paulo. A arte vai na linha de Não Vá para Nova York. A princípio achei que isso poderia ser ruim, mas depois pensei que até é legal — porque se tratam de obras parecidas, tendo cidades diferentes como cenário.
Ainda está na fase de esboço. Vou colocar o desenho na mesa de luz e refazer tudo, tomando cuidado com os detalhes e com as referências dos lugares que cito no livro (espero não estragar — isso costuma acontecer quando a gente resolve finalizar um esboço).
Acho que vou colocar cor para diferenciar um pouco do livro sobre Nova York. Pensando bem é melhor mesmo, afinal o MASP, sem o vermelho nas vigas, perde totalmente a graça.
PS: No dia 18 de fevereiro ganhei um presente de aniversário daqueles. Meu amigo Marcelo Rubens Paiva se prontificou a escrever o prefácio do livro paulistano. Espero que ele faça mesmo, senão vou ter que gritar: “Ei, Marcelo, ainda estou aqui!”
Só o divã salva
Reuni todos os meus cartuns e tiras que envolvem divã e psicanálise e coloquei neste livro.
Já tenho um livro parecido, No Divã com Adão (com a série Anos no Inferno), mas este é diferente.
Não garanto que este livro vá substituir sessões de terapia, curar traumas de infância, medo de avião, fobia de aranhas ou tubarões. Mas, se ele arrancar algumas gargalhadas, para mim já está de ótimo tamanho: missão cumprida.
Se Sigmund Freud não salvar, tenho certeza de que rir é o melhor remédio.
Veja um preview do livro aqui.
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ObrigAdão e bom finde.


