Esquece o Laerte
Adão para crianças?
Até 2000, por aí, minha participação na Folha de S. Paulo se limitava às tiras diárias. Em seguida, me convidaram para colaborar no Folhateen. Era um espaço grande — às vezes, uma página inteira — onde dava para exercitar HQs mais longas.
Dois anos mais tarde, apresentei um projeto de tiras para a Folhinha: uma série chamada Trupe, que depois passou a se chamar Jardim Bizarro.
Assim que recebi o OK dos editores, passei na redação para combinar os detalhes do contrato. Quem me recebeu foi o diretor de arte Massimo Gentile.
Como achei baixo o cachê que me ofereceram, resolvi negociar:
— Mas o Laerte ganha o dobro disso.
— Esquece o Laerte — respondeu, seco, o italiano.
Depois daquela resposta direta, calei o bico. Gentile era gentil — do jeito dele. Não perdia tempo com conversa fiada. Se fosse para bater papo furado, que fosse num boteco, regado a um bom chope gelado. E era isso que a gente fazia — eu, ele, o Marra, o Adilson, o Emílio Damiani, entre outros — sempre que eu passava pela Folha.
Massimo era gente boa — infelizmente, morreu cedo, em 2015.
Não sei por que estou contando tudo isso… Ah, lembrei! Estou montando uma coletânea com as tiras que saíram na Folhinha entre 2002 e 2016.
Quando me convidaram para colaborar com o suplemento, muita gente torceu o nariz:
“Adão, o criador da Aline e de Rocky & Hudson, escrevendo para crianças?!”
Pois é. Contrariando todas as expectativas de fracasso, a parceria deu certo — e fui colaborador durante 14 anos.
Escrever para crianças é um barato. Elas são, sem dúvida, muito mais loucas que os adultos. À medida que os anos passam, a gente vai encaretando.
Talvez eu tenha usado alguns conhecimentos adquiridos na TV ColOsso, onde fui redator. A gente não tinha freios para escrever para o programa. O lema dos roteiristas era simples: jamais escreva no diminutivo — e nunca pense que está escrevendo “para crianças”.
Abaixo, algumas das maluquices que estarão no livro — diversão garantida também para adultos.
Lançamento: Seleção Natural do Adão
Uma coletânea das melhores tiras publicadas na Folha de S. Paulo entre 1996 e 2023. Quatro volumes já estão disponíveis aqui.
Tem aqui para quem mora na gringa e também em versão Kindle.
Amsterdã é uma festa
Meu segundo livro em prosa conta as aventuras do jovem Adaô na capital das tulipas.
A edição é totalmente independente e está disponível no Brasil, aqui.
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Paris por um triz — 30%off
Descontão no meu livro de estréia no mundo da prosa. Aqui.
Correio elegante
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ObrigAdão e bom finde.









Adaô Maluquinho!
Boa! To tentando escrever umas coisas pra crianças e gostei das diretrizes. É isso, não subestimar mas desafiar...