Nem tão infantil
Tv ColOsso e quadrinhos
Escrever para a TV ColOsso me preparou para fazer quadrinhos para crianças?
Antes de responder à pergunta, deixa eu falar um pouco sobre o programa dos cachorros.
Dias desses, o chapa Luiz Ferré (criador do programa) me mandou fotos de uma reunião no apartamento dele em São Paulo.
Eu sou o jovem de jeans e camiseta branca, com aquela cara pensativa de quem está tentando criar uma piada — ou uma grande sacada — para arrematar algum esquete.
Na foto também estão o amigo Gilmar Rodrigues e a atriz gaúcha Lucia Serpa.
Nos meus relatos sobre a chegada a São Paulo — Nós Sempre Teremos São Paulo — que saem semanalmente no Correio Elegante, conto justamente o momento em que me convidaram para ser redator, bem quando meu dinheiro estava acabando. (Que sorte eu tenho.)
Segue aqui o capítulo:
NÓS SEMPRE TEREMOS SÃO PAULO - TV COLOSSO
Um dia tocou o telefone. Jaca atendeu e me chamou:
— É para você, Adão.
Fui correndo atender, torcendo por boas notícias.
— Adão? Aqui é o Valério Campos.
Demorei um pouco para ligar o nome à pessoa, até que me lembrei. Valério era gaúcho e trabalhava com jornalismo e roteiro. Eu tinha cruzado com ele algumas vezes nos bares de Porto Alegre, mas nunca havíamos conversado.
— Oi, Valério… Tudo bem?
— Tudo certo. Quem me passou seu telefone foi o Angeli. O negócio é o seguinte, estou trabalhando na Rede Globo como redator-chefe da TV Colosso. Não sei se você ficou sabendo… o Angeli pulou fora e surgiu uma vaga. Laerte disse que você estava morando em São Paulo, falou muito bem de ti e pensamos em te convidar para escrever para o programa.
E foi assim, de súbito, que o jogo virou. Agora eu tinha a posse da bola, sozinho dentro da área. O goleiro veio para cima, dei um drible para a direita, chutei forte e estufei as redes. Golaço! Felicidade 1 x tristeza 0.
Uma semana depois eu estava no apartamento gigante do Luiz Ferré, diretor do programa, reunido com ninguém mais, ninguém menos que Fernando Gonsales, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Newton Foot, Chachá e Toninho Neto, redatores do programa. Finalmente, a vida voltava a sorrir para mim. Mais uma vez eu parecia estar vivendo um sonho.
Como eu já conhecia a TV ColOsso —era fã do programa— rapidamente me entrosei com a turma, que foi muito legal comigo e me recebeu da melhor maneira possível.
No final da reunião, Valério distribuiu as tarefas da semana para cada roteirista. Fiquei com os personagens que eram os meus preferidos, Paulo Paulada e o Jaca Paladium, do quadro “Acredite se puder”.
Saí dali, fui até o centro e comprei uma máquina de escrever. Escolhi a Remington 15, modelo clássico e simples. Na papelaria que ficava ao lado, comprei uma resma de papel sulfite A4. Voltei para casa todo orgulhoso, me sentindo um escritor, um Salinger, um Machado de Assis, um Hemingway, et cetera e tal. Asdfg… Qwert… Poiuy… Finalmente o curso de datilografia feito na minha adolescência em Cachoeira do Sul serviria para algo.
Hemingway remando na Remington agora vai.
Nem tão infantil
E agora respondo à pergunta lá de cima: sim, acho que escrever para a TV ColOsso me trouxe alguma manha para fazer quadrinhos para os pequenos.
Escrevi tudo isso para avisar que está prontinho o livro NEM TÃO INFANTIL, reunindo as tiras que saíram no caderno infantil da Folhinha. Virou um belo álbum de quase 200 páginas — e já está disponível por aqui.
O título foi escolhido justamente porque esses cartuns, assim como a TV ColOsso, podem ser degustadas também pelos adultos.
Aqui, para quem mora no Brasil, e aqui, para quem está na gringa.
Correio elegante
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ObrigAdão e bom finde.






Era bom demais, eu nem era mais criança quando começou e eu adorava.
A TV Colosso estreiou quando eu era bem molequinho,e é uma das primeiras memórias que tenho da vida. Lembro de assistir o programa e gostar muito, e inclusive na época ganhei de presente o vinil com as músicas do programa (que destrui alguns dias depois brincando de disco voador rs). Anos depois li uma entrevista sua na finada revista Herói, e nunca mais perdi seu trabalho de vista!