O apanhador no campo de ideias
Tinha uma ideia no meio do caminho
A ideia, ops, era republicar na edição de hoje um texto sobre ressaca, mas novamente fui sugado pelo assunto “ideias”. Então vamos nessa: continuar dissecando, destrinchando o negócio.
Sim, nos últimos tempos ando com ideia fixa. Literalmente.
Nada extraordinário, afinal meu trabalho consiste na busca diária (e obsessiva) por elas.
Sorte que as ideias nunca se esgotam… Mas, de vez em quando, se fazem de difíceis, como se quisessem brincar de esconde-esconde.
Ideias são escorregadias como um sabonete que escapa das mãos, viscosas como o salmão que sobe o rio para se reproduzir — sendo fisgado pelas garras certeiras de um urso.
Nessas horas é preciso ser um ursão… Ih, não quero dar ideias.
O segredo é agir como um predador: chegar de mansinho, disfarçando, como um gato que finge desinteresse na presa… Aí, exatamente na hora em que ela, a ideia-presa se descuida, você ataca! Eureka!
— O texto nem precisaria dessa parte do gato, já que tinha um outro bicho, o urso, mas quer saber? Vou manter.
A ideia é exatamente essa: abolir a censura.
Neste brainstorming, nem as ideias ruins são deixadas para trás — às vezes é exatamente uma ideia meia-boca que leva a uma ideia brilhante. E é essa que justifica o seu salário… ou o fim daquela maldita reunião de ideias.
Previsão do tempo para hoje: instável, com possibilidade de tempestade de ideias.
É importantíssimo anotar tudo. Por isso é bom ter um bloquinho à mão. Quando uma ideia aparece, corro para anotar.
Se não tenho um bloco, rabisco em qualquer pedaço de papel ou até mande um áudio para me myself and I pelo WhatsApp — melhor você nem escutar um áudio desses, senão vai achar que sou demente. Ou saber que sou.
A pior dos infernos é esquecer a ideia “genial” que você teve cinco minutos atrás.
Isso acontece muito comigo (não de ter ideias geniais, mas de esquecê-la).
Eu fico lamentando até que a bendita resolva dar as caras de novo.
Elas sempre voltam, porque, no fim das contas, estão exatamente onde sempre estiveram: na cabeça do criador.
Ideia de sonho até pode funcionar, mas na maioria das vezes é inútil.
O mundo dos sonhos é uma loucura — mais surrealista que um curta de Buñuel depois de algumas taças de absinto. Mesmo assim é bom ter sempre um papel e um lápis sobre a mesa da cabeceira. Um criador prevenido vale por dois.
P.S.: As ideias do sabonete e do salmão — e do criador prevenido — surgiram enquanto eu comia um pão com a deliciosa manteiga La Serenísima — comer é um dos melhores aceleradores de ideias.
E também, durante a mastigação da iguaria, surgiu o novo título que escolhi para o texto: O APANHADOR NO CAMPO DE IDEIAS.
Como o assunto não tem fim, vai continuar na sexta-feira que vem.
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ObrigAdão e bom finde.




Sempre muito criativo!