O fim da Aline?
Aline nasceu no início de 1995 — ou no final de 1994, vai saber — e estreou na Folha de S.Paulo em julho de 1996. Lá se vão 31 aninhos.
Ano que vem lanço o 11º álbum da minha personagem mais famosa, reunindo as tiras recentes, uma entrevista em que a criatura conversa com o criador, histórias sobre as polêmicas e uma seleção das minhas piadas preferidas.
Será o último? Não sei. Tenho produzido tão poucas tiras com o famoso trio que estou pensando seriamente em encerrar o ciclo. Afinal, desenhar a Aline sem tesão é um pecado ao cubo.
Abaixo, em primeira mão, um trechinho da conversa:
Aline — De onde veio a inspiração para me criar? Sou uma ideia que apareceu do nada ou você se inspirou em alguém?
Adão — Já dei várias entrevistas explicando tudo.
Aline — Eu vi todas. Em cada uma você conta uma história diferente. Quero saber qual é a verdadeira.
Adão — Tá bom. Vou te contar a verdade. Criei você em 1995, numa manhã de ressaca. Na noite anterior, eu tinha saído com o Angeli. Fomos ao bar The Jungle, em Pinheiros. Fazia um tempão que eu queria criar uma tira para a Folha de S.Paulo, mas nada me agradava. Na hora de ir embora, Angeli disse: “Adão, por que você não cria um projeto de tira para a Folha?” Depois que nos despedimos, fui caminhando pra casa e aquela pergunta ficou reverberando na minha cabeça.
Aline — Dificuldade para criar uma tira? Não entendo… você já tinha experiência de sobra. Faz quadrinhos desde a adolescência.
Adão — É verdade. Mas meus personagens da época eram toscos demais. Alguns, impublicáveis — até para a Folha, que topava umas pedradas. Eu precisava criar algo novo, mas sem perder minha pegada.
Aline — Ah, agora entendi. E como veio a criação? Rolou o estalo? Tipo eureka mesmo? Você lembra do momento exato?
Adão — Lembro perfeitamente. No dia seguinte, depois do café e do cigarro, ainda pensando na pergunta do Angeli, comecei a rabiscar. Desenhei um casal de jovens deitado na cama e, no espaço que sobrava, acrescentei outra personagem, uma mulher. “Um triângulo amoroso é legal”, pensei. “Dá pano pra manga.”
Aline — Não entendi… um homem e duas mulheres?
Adão — Calma. Foi exatamente isso que me incomodou. Um homem e duas mulheres era “tradicional” demais. O velho fetiche do macho vendo duas minas se pegando. Eu precisava resolver isso. Fiz mais um café, mais um cigarro, e continuei rabiscando. Aí me vieram imagens: Wolinski, Paris, cinema francês… François Truffaut… e bingo: Jules et Jim. Um triângulo amoroso com uma mulher e dois homens. Pronto. A ideia baixou inteira. Agora era só criar a minha versão do trio Catherine, Jules e Jim.
(A versão completa da entrevista estará no livro.)
AAAAH!
O curioso é que, justamente nesta semana em que ando pensando em encerrar esse ciclo, acabei fazendo uma página nova com a minha tarada de papel dos anos 90. Ela saiu no Correio Elegante, minha campanha de financiamento coletivo. Olha só:
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ObrigAdão e bom finde.







O fim da Aline poderia ser uma suruba no Afeganistão, hahaha. Longa vida para Aline!