Precisamos falar sobre o Ozzy
RIP OZZY
Semana triste, viu? Ozzy Osbourne, se foi. O cara que moldou minha adolescência — e olha que não foi pouca coisa pra moldar — finalmente se instalou no lixão do Tártaro. Agora deve estar festejando a eternidade com Belzebu e os anjos das trevas.
Até que ele durou bastante, convenhamos. Uma vida inteira de excessos, morcegos e internações. The Madman teve até a manha de sobreviver a um reality show.
Recomendo o livro Pergunte ao Dr. Ozzy, escrito com o mesmo coautor da autobiografia Eu Sou Ozzy, o Chris Ayres.
O livro nasceu de uma coluna no Sunday Times, onde ele dava conselhos médicos.
Sim. Ozzy. Dava. Conselhos médicos.
É uma das coisas mais engraçadas que já li na vida.
Mas, pensando bem, faz sentido: se tem alguém que entende de sobrevivência, é ele.
Conto tudo isso por um motivo. Porque lembrei de um episódio marcante da minha juventude barulhenta. Quando a gente lançou a revista Dundum, lá em Porto Alegre, em 1990, montamos uma banda só de cartunistas.
A formação original era:
• Eu, guitarra e vocais tortos
• Gilmar Rodrigues, vocal e delírio
• Laura Leiner, no baixo, de preferência bem alto
• Silvio Silveira, na bateria, o único que sabia tocar
Depois teve rodízio no baixo: Fábio Zimbres, Luis Schiavon ou qualquer chinelão que estivesse dando sopa por perto.
A verdade é que a gente não tocava porra nenhuma. E não era aquele papo indie de “a gente só sabe três acordes”. Não. Era nota zero mesmo.
Então assumimos a nulidade como estética: viramos uma banda punk-trash-conceitual.
Tinha uma música chamada Hardcore do Gargarejo, em que o Gilmar tomava água e gargarejava no microfone. Em um dos shows, foi meio que eletrocutado na boca. Tivemos que chamar uma ambulância. Passou a semana com a boca inchada, parecendo o Mick Jagger no auge do colágeno.
Nosso outro hit se chamava Gato Sobre Telhado de Zinco, onde a gente pulava sobre uma chapa de zinco, enquanto os outros mandavam ver uns acordes podres. Uma performance ideal para uma plateia de masoquistas.
Mas a obra-prima, a mais educativa do repertório, se chamava Metal Pesado.
Enquanto a banda assassinava o riff de Iron Man, do Black Sabbath, o Gilmar recitava com voz de monstro os metais pesados da tabela periódica:
— CHUMBO
— TUNGSTÊNIO
— CÁDMIO
— URÂNIO
— MERCÚRIO
As outras músicas eu esqueci como eram e agradeço imensamente à minha memória escangalhada.
Hoje, isso provavelmente renderia cancelamento. Na época era a gente dizia que era só… arte independente.
Enfim. Valeu, Ozzy. Valeu com força e total distorção.
Amsterdã é uma festa
Meu novo livro, (e segundo) livro em prosa está disponível no quiosque virtual mais próximo da sua casa.
Apresentação do livro
Paris por um triz foi meu primeiro livro em prosa. Nele, contei minha saga na Cidade Luz em 1990, em busca de um lugar ao sol e espaços em jornais e revistas para publicar meus quadrinhos. Naquela época, por causa da grana curta, viajei pouco, mas consegui dar uma escapada rápida para Amsterdã.
Foram só três dias que, de tão intensos, pareceram durar uma eternidade.
É disso que trata este novo livro — o meu segundo em prosa. Amsterdã é uma festa é o relato das minhas aventuras doidas na “Veneza do Norte”.
Diferente do livro sobre Paris, neste optei pela terceira pessoa, o que deu mais liberdade ao meu outro eu, o Adaô — aspirante a beatnik e desbravador.
Este livro flerta com a autoficção — termo criado pelo francês Serge Doubrovsky em 1977 para descrever seu romance Fils — aquele gênero em que memória e invenção andam de mãos dadas. Talvez essa seja mesmo a melhor definição para Amsterdã é uma festa: meio autobiografia, meio invenção. De vez em quando, dou asas à imaginação, só para garantir que o leitor não caia no sono.
No início dos anos 90 o mundo era outro, bem diferente do atual. Um mundo pré-internet, com telefones públicos (os “orelhões”), poucos computadores e, no máximo, um ou outro aparelho de fax. Outro tempo. Outra onda. E, ainda assim, algumas coisas não mudaram — como o frio na barriga ao pisar num lugar desconhecido.
Onde comprar
A edição é totalmente independente e está disponível no Brasil, aqui.
Para quem mora fora, a Amazon disponibilizou em marketplaces de todo o mundo, é só escolher o mais próximo da sua morada. Aqui.
Tem também a versão Kindle. Aqui.
Era isso por hoje, mas ficou uma dúvida: por que, a partir de uma certa idade a próstata aumenta e o pingolim diminui? Não poderia ser o contrário. Aí, Deus, jogando essa ideia para você melhorar o projeto desse órgão.
Hora de passar o chapéu
Segue um videozinho novo que fiz pra apresentar minha campanha de financiamento coletivo, o Correio Elegante.
Prometo melhorar na atuação. E os olhos um pouco caídos não são de tristeza — é só o existencialismo batendo de leve.
A ideia do vídeo é sensibilizar mais gente a assinar.
Assiste aqui.
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